Por - Psicóloga Maristela Vallim Botari CRP-SP 06-121677 


Perguntas que a Psicóloga faz na primeira consulta

Muitas pessoas evitam procurar psicólogos com receio de enfrentar perguntas invasivas ou de serem pressionadas a falar sobre temas dolorosos logo de início.  

Lembre-se que o processo é pautado pelo seu tempo e pelo respeito à sua singularidade. 

Imagine sua mente como um espaço onde se guarda experiências, sentimentos, memórias e expectativas. 

Quando tudo fica misturado, surge confusão e sobrecarga além da dificuldade de encontrar coisas importantes.

Existe uma tendência à categorização de informações, com base em suas prioridades, utilidades e importância.

A psicoterapia pode ser compreendida como um processo colaborativo onde esta categorização de informações mentais pode ocorrer.

Como funciona a primeira consulta com a Psicóloga 

Na primeira consulta com a psicóloga, você compartilha apenas o que se sentir confortável para contar e também pode fazer perguntas sobre o processo. 

Não existe certo ou errado — existe o seu tempo.

A partir do que é exposto verbalmente, a psicóloga analisa possíveis padrões de pensamentos, sentimentos e emoções que possam estar gerando desconforto. 

O objetivo é auxiliar o paciente a olhar para as próprias dores e padrões sem o peso do julgamento

Na prática, e de maneira aproximada, a primeira consulta com a Psicóloga pode servir para:

  • Anamnese do histórico emocional e clínico;
  • Avaliação de níveis de estresse;
  • Identificação de áreas de atenção imediata;
  • Criação de uma HD - Hipótese Diagnóstica.
  • E, se for preciso, encaminhamento para equipe multiprofissional. 

Naturalmente, consideramos a singularidade de cada pessoa, portanto, é comum que as sessões sejam construídas de maneira diferente para cada pessoa. 

Isso equivale a dizer que não existe uma regra fechada de como a  1ª. consulta com a Psicóloga deve funcionar, como se fosse um script fechado, ou um roteiro de uma peça teatral. 

A Ausência de Julgamento

Um dos maiores medo do paciente novato é ser julgado. 

No entanto, o consultório é o um lugar onde o juízo de valor não entra. 

O papel da psicologia clínica é compreender a funcionalidade dos seus comportamentos e sentimentos, e não classificá-los como "certos" ou "errados".

Primeira Sessão: O que perguntamos?

As perguntas iniciais servem para começar a compreender como vai sua saúde emocional. 

Elas são genéricas, não são fixas (variam de acordo com o paciente e as demandas apresentadas) e  só evoluem se você permitir.

Naturalmente, estas perguntam variam muito, de pessoa para pessoa, em diferentes contextos, etc. Não é (de jeito nenhum!) um roteiro fechado. 

Eu entendo que a fala do paciente é mais importante que perguntas.

Quando o paciente quer apenas desabafar, é comum que eu não faça perguntas e deixe o discurso fluir, porque entendo que isso é mais importante do que perguntas estruturadas.

Mas, quando percebo que o paciente não está à vontade para falar, então posso recorrer às perguntas, mas sempre incentivando a fala livre.


O que a psicóloga costuma perguntar?

As perguntas a seguir são apenas uma “vaga ideia” de perguntas feitas por mim, quando forem adequadas, pertinentes e servirem para ajudar as pessoas. 

  • Histórico Terapêutico: Você já fez terapia antes? O que funcionou e o que não funcionou?
  • Mapeamento de Sintomas: Investigamos reações físicas (taquicardia, insônia), cognitivas (falta de foco) e emocionais (apatia, ansiedade).
  • Suporte Farmacológico: Uso de medicações ansiolíticas ou antidepressivas para alinhamento com psiquiatria, se necessário.
  • Quais são seus principais objetivos com a terapia?
  • Há quanto tempo você percebe esses sintomas
  • Como esses problemas afetam sua rotina e relacionamentos?
  • Quais desafios você enfrenta hoje (ansiedade, estresse, luto)? 
  •  

    O que você PODE e NÃO PODE falar?

    A resposta curta é: você pode falar tudo. A sessão é o seu espaço de liberdade total. Você pode usar gírias, chorar, ficar em silêncio ou até usar palavrões para expressar uma indignação. O silêncio, inclusive, é respeitado como uma forma de comunicação.

    O que não é necessário? Pedir desculpas por sentir. Você não precisa se desculpar por chorar ou por ser sincero. Essas reações são a matéria-prima da terapia.

    Confidencialidade e Segurança

    Tudo o que é dito em sessão é protegido pelo sigilo profissional. Esse pacto de confiança é o que permite que você fale o que achar necessário, sabendo que nada poderá ser compartilhado (exceto em contextos muitos específicos, ou que envolvem riscos. 

    Devo contar tudo pra psicóloga?


    A Transparência na Psicoterapia: Devo Contar Tudo?

    Na psicoterapia, a relação entre paciente e psicóloga é baseada em confiança e sigilo. Esse ambiente seguro permite compartilhar experiências, sentimentos e pensamentos sem julgamentos.

    Não há obrigação de “contar tudo” de uma vez ou revelar todos os aspectos da vida pessoal imediatamente. O processo acontece de forma gradual, respeitando o ritmo de cada pessoa e suas necessidades no momento. 

    Algumas informações podem ser compartilhadas quando o paciente se sentir confortável ou perceber que são relevantes para compreender e trabalhar determinada situação.

    A transparência na consulta com a Psicóloga é importante porque permite que o profissional compreenda melhor as experiências e desafios do paciente, mas sempre respeitando os limites e o tempo de cada um. 

    O fundamental é que o diálogo seja sincero na medida em que contribui para o acompanhamento, sem pressão para expor mais do que se está pronto para compartilhar.

    Decidir se deve contar tudo para a psicóloga é uma escolha pessoal que depende diretamente do nível de conforto e segurança estabelecido no vínculo.

    Contudo, é fundamental compreender que a  constitui um espaço estritamente sigiloso e técnico.

    A profundidade do compartilhamento permite que a profissional auxilie na identificação de padrões de comportamento e na busca por caminhos construtivos. 

    Caso não se sinta pronto para abordar temas sensíveis de imediato, a construção gradativa da confiança faz parte da jornada. Avise sua Psicóloga. Ela certamente vai compreender e lançar mão de outros recursos.