Conteúdo informativo desenvolvido pela Psicóloga Maristela Vallim Botari CRP-SP 06-121677

sem a finalidade de substituir a consulta psicológica, nem esgotar o tema.

Trata-se apenas de um convite à reflexão

É muito frequente que algumas pessoas (movidas por desconhecimento da profissão), nos peçam para fazer alguns trabalhos que fogem ao escopo da nossa profissão.

É bem verdade, que temos que nos adaptar, sempre que possível, mas nossas adaptações devem seguir as diretrizes básicas da profissão, senão, em pouco tempo ficaremos descaracterizados.

 

É muito frequente que algumas pessoas evitem buscar ajuda de um psicólogo devido ao medo de serem julgadas, rotuladas ou mal avaliadas.

O que um Psicólogo NÃO FAZ -  de jeito nenhum (ou não deveria fazer)

1) Analisar pessoas que não estão presentes; 

se não é fácil analisar as pessoas que estão em atendimento, fazendo acompanhamento conosco, imagine analisar pessoas que nem conhecemos, com base em informações superficiais? Isso jamais seria possível. Primeiro porque não seria ético; segundo porque uma análise envolve diversas variáveis, que vão muito além da mera causalidade (fulano é assim por causa disso). Encontrar determinantes, gatilhos e respostas padrão envolve montar um quebra-cabeça complexo de sentimentos, emoções e comportamentos, traçando linearidade, observando padrões, intensidades e intencionalidades, mapeando contextos, checando variações… trabalho que envolve tempo, conhecimento, dedicação, empenho e seriedade.


 

2) Mediar conflitos entre pessoas;

Mediar conflitos entre pessoas: em uma terapia de casal ou familiar, tudo bem — é para isso que essas modalidades existem. 

Mas, às vezes, alguns pacientes desconhecem nossos limites e pedem que façamos a mediação entre pessoas que não estão em atendimento conosco (e, mesmo que estivessem, não podemos). 

E por que não podemos? 

Porque nosso trabalho consiste em dar autonomia para que as pessoas se fortaleçam, não precisem de mediação e aprendam a ser assertivas. 

3) Fechar diagnósticos com base em testes de internet

Embora isto tenha viralizado nos últimos anos, e alguns parecem ser realmente bem-intencionados, eu prefiro não usar. Prefiro optar pelos meios tradicionais de avaliação, aqueles que já conhecemos e que adquirimos nas casas de materiais voltados exclusivamente para psicólogos. 

4) Forçar as pessoas por meio do convencimento, que elas precisam se tratar

Forçar as pessoas, por meio do convencimento, a que elas precisam se tratar — eu prefiro acreditar que isso não acontece, mas, imaginando que isso aconteça, não deveria acontecer, por vários motivos éticos e comerciais. Acho que não preciso me alongar quanto a isso. Todos entenderam. 

5) Servir como mediador de recados para seus pacientes 

Raro, mas pode ocorrer. 

Pode acontecer, em alguns casos, de psicólogos serem procurados para “levar um recado” de uma pessoa para outra. Por exemplo, suponhamos que o sujeito A quer que o sujeito B pare de ter comportamento abusivo. 

O sujeito A liga para o psicólogo dizendo: “ligue para o sujeito B (aqui está o telefone) e diga a ele que precisa se tratar — e não diga que fui eu que falei...”. Gente, na boa: psicólogo pode fazer isso? Não, né. 

6) Emitir documentos com informações falsas (alias isso e crime também).

7) Misturar religião, misticismo e psicologia:

O espaço terapêutico não é lugar de doutrinação, mas de escuta qualificada, reflexão e desenvolvimento psicológico.

Se o paciente trouxer questões religiosas, elas podem e devem ser acolhidas e trabalhadas dentro do contexto da experiência dele, mas sem que o psicólogo imponha interpretações ou caminhos baseados em crenças pessoais.


O Psicólogo deve evitar falar durante os atendimentos:

  1. Frases que sugiram juízo de valor ou rotulação

    O psicólogo deve evitar interpretações carregadas de julgamento, como rotular o paciente (“você é xxxx”, “você é yyyyy”), pois isso pode reforçar crenças negativas.

  2. Afirmar que existe um transtorno mental, sem ter avaliado (por meio de instrumentos) as reais condições do paciente.

    Diagnósticos exigem critérios técnicos e instrumentos apropriados. Fazer afirmações precipitadas pode gerar sofrimento, estigmatização e até consequências legais. 

  3. Dar conselhos diretos

    A psicoterapia não deve ser um espaço de imposição de decisões. O objetivo é ajudar o paciente a desenvolver autonomia, e não dizer o que ele “deve fazer”. 

  4. Fazer ameaças psicológicas

     

  5. Fazer elogios fora do contexto

    Elogios devem ter função clínica. Quando são excessivos ou desconectados do processo, podem soar artificiais ou até manipulativos. 

  6. Demonstrar pena, dó piedade, compaixão

    Embora pareça positivo, esse tipo de postura pode colocar o paciente em posição de fragilidade ou inferioridade. O ideal é empatia, não piedade. 

  7. Não demonstrar Empatia

    A ausência de empatia compromete diretamente o vínculo terapêutico e a eficácia do tratamento. 

  8. Ameaçar abandonar o paciente

    Interrupções devem ser conduzidas com responsabilidade técnica. Ameaças de abandono geram insegurança e podem causar desconfianca na profissao. 

  9. Ameaçar quebra de sigilo

    O sigilo é um dos pilares da prática psicológica. Qualquer ameaça nesse sentido compromete a confiança e fere princípios éticos. 

  10. Falar mal do Psicólogo anterior

    Isso desqualifica o campo profissional e pode interferir negativamente na percepção do paciente sobre o próprio processo terapêutico. 

  11. Falar que está se sentindo mal em atender este tipo de caso

    O psicólogo deve reconhecer seus limites de forma ética, mas sem expor o paciente a rejeição ou inadequação. Encaminhamentos devem ser feitos com cuidado. 

  12. Falar coisas que sugiram intimidade maior  do que o momento profissional propõe

    Excesso de proximidade pode confundir os papéis e prejudicar os limites necessários à relação terapêutica. 

  13. Cuidado ao tratar de questões financeiras

    Valores, faltas e contratos devem ser tratados com clareza e profissionalismo, evitando constrangimentos ou ambiguidades. 

  14. Falar mal das pessoas que fazem parte da vida do paciente

    O foco deve ser a experiência do paciente, não julgamentos sobre terceiros, que podem influenciar indevidamente suas relações. 

  15. Discutir com Paciente nas Redes Sociais

    A relação terapêutica não deve se estender para conflitos em ambientes informais. Isso compromete a ética e os limites profissionais. 

  16. Falar mais que o paciente

    A escuta é central na psicoterapia. Quando o psicólogo ocupa excessivamente o espaço, impede o desenvolvimento do paciente. 

Mas a lista não para por aqui.